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Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2020, 08h:43

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Caso Benjamim: FAMÍLIA ESPERA QUE ACIDENTE SEJA ESCLARECIDO

O Diário conversou com pessoas que testemunharam o fato.


Imagem de Capa
Paulo Pietro

Um acidente envolvendo uma criança está chamando atenção da população campo-verdense e ganhando cada dia mais capítulos e manifestações nas redes sociais. Estamos falando do caso do bebê Benjamim Miguel Rodrigues de Oliveira, de apenas um ano e três meses, que foi vítima de traumas severos na região da cabeça, após ser vítima de um acidente ainda não esclarecido. Ele sofreu o acidente enquanto estava sob os cuidados de uma instituição particular, chamada Hotelzinho Chapeuzinho Vermelho,  localizada na Rua Belo Horizonte no Bairro Campo Real II. 

 

A criança está em coma desde o dia do acidente, (10/01/2020) na UTI pediatra do Hospital Santa Casa em Rondonópolis-MT e seu estado de saúde é extremamente delicado, apesar de ele ter apresentado alguma evolução.

 

A tia da criança, Ariadis de Oliveira, que recebeu autorização dos pais do bebê para falar sobre o assunto, procurou nossa equipe de reportagem, ela ressalta que as últimas informações obtidas através de laudos médicos, não batem com as versões apresentadas pelos representantes da instituição.

 

Segundo o que foi relatado por membros da escola à familiares do aluno, eles encontraram Benjamim caído em uma área da creche já desmaiado e com sangramento na região do ouvido e não souberam dizer com certeza o que havia acontecido. A versão apresentada pela instituição é que a criança havia caído do escorregador.  

 

Porém, laudos médicos não confirmam a versão da instituição. Segundo os documentos apresentados pela tia, Benjamim teve traumatismo craniano, atingindo a parte base do crânio e a mastoide, região lateral próxima ao rosto. Boa parte do lado esquerdo da cabeça do bebê esta com os ossos fragmentados. “O tamanho do trauma é incompatível com as versões apresentadas como hipótese, segundo o que foi relatado pelos próprios médicos que estão cuidando do Benjamim”, disse Ariadis.

 

No momento do acidente segundo relatado pelos responsáveis pelas crianças, havia somente uma monitora no local, além de duas meninas, ambas menores de idade, uma de 11 e outra de nove anos, que segundo o relato, são parentes das responsáveis pelo local e sempre acabam ajudando a cuidar dos pequenos. No dia do acidente, tinham apenas duas crianças sendo cuidadas, Otávio de dois anos, filho de nossa segunda fonte Juliane David Duzanoski, e Benjamim.

 

Segundo o que foi explicado para Juliane, no momento em que aconteceu o acidente a monitora estava dando banho em Otávio, e por isso não viu o momento do acidente.

 

A versão é questionada por Juliane, que ressaltou que os horários não batem com a rotina da instituição. “Os banhos constumam ser realizados no hotelzinho apenas por volta das 16h30, mais próximo das 17h, quando os pais normalmente vêm buscá-los. Porém, Benjamim deu entrada no HMCJ as 15h e já tinha um tempo que o acidente havia ocorrido até ele ser socorrido. Mas quando cheguei na instituição por volta das 17h, encontrei a responsável legal do hotelzinho chegando no mesmo momento, foi quando fui avisada sobre o acidente. Na hora fiquei apavorada, mas logo me tranquilizaram dizendo que meu filho estava bem apenas dormindo. Peguei ele no colo e observei que ele ainda estava com o cabelo molhado, e foi utilizado somente uma troca de roupa das que eu havia mandado. As meninas que ajudam no local estavam com um balde lavando rapidamente os locais que estavam sujos de sangue. Achei estranho mas na hora devido a tudo que estava acontecendo, muita gente na frente do local, acabou passando.”     

 

Outra situação que chama atenção é que a criança foi socorrida por terceiros. Uma das meninas (menor) que ajuda nos trabalhos, foi quem saiu na rua pedindo socorro. Uma mulher, que passava de moto acabou parando, entrou no local e pegou a criança nos braços e saiu até a rua pedindo ajuda. Uma vizinha acabou percebendo a gravidade e levou ambas para o Hospital Coração de Jesus, a criança foi atendida prontamente, porém, não haviam responsáveis pela criança no local, nem mesmo documentos e ninguém sabia sequer o nome do bebê.  Desde o início, os médicos detectaram a gravidade da situação e sabiam que o bebê tinha que ser transferido para uma UTI com urgência, mas os responsáveis foram avisados somente cerca de 40 minutos depois que a criança tinha dado entrada no hospital, por volta das 15h45, logo após a criança foi transferida para Rondonópolis onde está até hoje.

 

O Diário também conseguiu contato com a pessoa que acabou socorrendo a criança, Pamela dos Santos Abreu, ela nos explicou como tudo aconteceu. “Eu estava de moto com minha filha e uma criança me cercou pedindo ajuda, socorro, pois uma criança estava machucada,eu perguntei se tinha um adulto no local, ela falou que sim, mas que a criança estava sangrando muito, deixei minha moto na rua e fui ate o pátio do hotelzinho. Lá dentro a criança me mostrou o ferro do pula-pula e falou que ela tinha caído e batido a cabeça, e sim tinha sangue ali, ele já estava na área sangrando muito. A cuidadora me disse outra versão, falou que ele tinha caído do nada na área e começado a sangrar, pedi uma toalha para limpar o rosto dele ela pegou e fui para o hospital, lá me perguntaram se era a criança que o carro tinha batido, falei que não sabia”.

 

Depois da criança ter sido acolhida no HMCJ, Pamela retornou ao local, na casa da vizinha da frente que a ajudou a levar Benjamim, para responder algum questionamento, caso existisse.  Depois observou a chegada da responsável pelo hotelzinho de carro, uma pick-up Montana de cor prata. “Ela falou que tinha acabado de sair para comprar parafuso para colocar nichos na parede, falou que tinha apenas dois minutos que havia saído do hotelzinho, mas quando eu peguei a criança ela não estava lá. Ela falou para outra mãe com certeza, que o bebe tinha caído do escorrega, mas no local não tinha sangue, além de ela não ter visto supostamente. Eu observei marcas de sangue perto do pula-pula, no caminho onde o carro entra na garagem, e tinha sangue da grama ate à área coberta onde encontrei ele”, revelou Pâmela.

 

Vale ressaltar, que na tarde da sexta-feira (10), choveu a tarde inteira, em todos os relatos das fontes, elas confirmaram que estava chovendo.

 

A Justificativa para as marcas de sangue no caminho, segundo os responsáveis pela escolinha informaram a família, era de que o bebê após cair, ainda se levantou até cair novamente na área coberta. “Essa versão mais uma vez depõe contra a gravidade da lesão, os médicos nos confirmaram que simplesmente uma queda não causaria tamanho dano, e ele não conseguiria levantar,” frisou Ariadis.  

 

Uma situação que levanta suspeitas, que foi revelada pela mãe da outra criança que estava sendo cuidada, Juliane David Duzanoski, e foi confirmada pela nossa equipe de reportagem no momento da entrevista, é que o pequeno Otávio, desde o dia do acidente, faz relação entre o Benjamim e o carro; “Mim (como ele chama o Benjamim) dodói, carro vovô (sic)”. O carro do pai de Juliane, é uma pick-up Montana de cor prata, igual a que a responsável pelo hotelzinho possui. “No início devido todo ocorrido, não havíamos prestado tanta atenção a esse fato, mas meu filho insistiu com essa frase, como vocês perceberam todas as vezes que se toca no assunto ele começa falar isso. Quando fomos visitar meu pai no final de semana, ele olhava para o carro e estava realmente aflito. Na segunda-feira após o acidente ele retornou ao hotelzinho, mas não queria mais ficar no local, estava chorando muito, ficou realmente traumatizado”, disse Juliane, que desde então retirou a criança do local que já frequentava há seis meses.   

 

Uma quarta fonte que prefere não se identificar no momento, revelou que após o acidente, observou um homem colocando o veículo Montana na garagem do hotelzinho e realizando outras marcas com o pneu, inclusive passando várias vezes sobre o local onde estavam as marcas de sangue no gramado.

 

O Diário ainda tentou conversar com as responsáveis pela instituição, para que elas contassem sua versão dos fatos a nossa reportagem, mas recebemos via Whatsapp a seguinte informação;  “O Hotelzinho só irá se pronunciar, por instrução dos advogados, quando o Benjamin estiver em casa e fora de perigo. Não estão autorizados a citar nomes por instrução de advogados. Não insista”.  

 

Na segunda-feira (20) quando começamos a colher as informações, representantes da família de Benjamim estavam na delegacia, completando as informações mais recentes sobre o fato e levando ao conhecimento das autoridades informações pertinentes  para serem agregadas ao Boletim de Ocorrência que já sido confeccionado anteriormente.

 

A Polícia Judiciária Civil disse que já iniciou as investigações sobre o fato e em breve deve ter um melhor posicionamento sobre a situação.     

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