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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011, 18h:28

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Deficientes nas ruas de campo Verde

Em alguns bairros da cidade, não há rampas de acesso para deficientes


Jessica Bachega

O simples ato de andar pelas calçadas ou mesmo atravessar a rua pode se tornar um grande desafio quando se tem limitações para se locomover.

Falta de rampas de acesso as calçadas obrigam os cadeirantes a andar na rua. Expondo-se ao perigo se sofrer atropelamentos devido a proximidade que se está dos veículos que ali trafegam. Mas esse é apenas um dentre tantos obstáculos enfrentados por aqueles que por um motivo ou outro são dependentes da cadeira de rodas para se deslocar. Ruas e calçadas esburacadas dificultam ainda mais a o deslocamento dessas pessoas.

Exemplo muito nítido de obstáculos para os cadeirantes pode ser visto na Praça João Paulo II, que passa por reformar há tempos e ainda não foi concluída. Ali existem rampas de acesso a calçada, mas como passar por ali se o espaço está tomado por paredes provisórias que cercam a obra, muretas que circundam as árvores e, o que sobra, é ocupado por vendedores ambulantes.

O problema das rampas é relatado pela senhora Maria Nascimento, mãe de Ana Cláudia Nascimento que, desde que sofreu um atropelamento, depende de cadeira de rodas para de locomover. A cadeira que Ana Claudia usa foi concedida por um amigo da família que a conseguiu com a prefeitura de uma cidade vizinha. Maria conta que a filha já sofreu uma queda na rua devido a uma rampa quebrada. A rodinha da cadeira quebrou ao descer a rampa, que estava inadequada para o uso, ocasionando a queda. Maria, que mora no bairro Cidade Alta, leva a filha, duas vezes por semana, a Unidade de Reabilitação para consulta com fonoaudióloga e sessões de fisioterapia., mas já chegaram a freqüentar a Unidade quatro vezes semanais. Há um ano essa tem sido a rotina das duas.

A Unidade de Reabilitação não tem veículo próprio para transportar os pacientes, que chegam a 120 por dia, a ambulância que utilizam é cedida pela secretária de saúde. Devido ao alto número de pacientes não é possível oferecer transporte a todos. Devido a isso os pacientes passam por uma avaliação, para que a ambulância seja utilizada por aqueles que são mais carentes, mas mesmo assim não é suficiente. Maria conta que, algumas vezes, já teve que sair de sua casa, no Cidade Alta, com a filha na cadeira de rodas e seguir a pé pelas ruas de campo Verde até a Unidade de Reabilitação, pois não havia transporte para levá-las.

Ana Claudia é apenas um dos casos. Sr Avelino Signorini, há três anos sofreu um derrame e desde então usa a cadeira de rodas. Com o auxilio da esposa de desloca até a Unidade de Reabilitação para as sessões de fisioterapia, vai pela rua porque não há condições de subir o meio fio para andar pela calçada. A cadeira de Sr Avelino é emprestada pela ACICAVE ( Associação Empresarial de Comercial de campo Verde). Quando seu contrato de empréstimo vencer, terá que conseguir outra cadeira emprestada ou adquirir uma. A coordenadora da Unidade de reabilitação, Wilza Coelho, conta que o CRIDAC (Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Correa) fornece cadeiras, muletas, andadores, próteses aos pacientes, porém o que eles têm não é suficiente para todos que necessitam desse material.

A lei de acessibilidade obriga a todos os espaços públicos a darem meios de acesso seguro aos deficientes físicos, mas na realidade isso não se aplica a todos os locais como deveria ocorrer. Além de se adaptar as limitações físicas que a deficiência trouxe, as pessoas nessa condição tem que driblar também as deficiência estruturais que a nossa cidade apresenta. Dependendo da ajuda de outras pessoas e se arriscando por entre os carros para alcançar seu destino. Tentando , na medida do possível, levar uma vida normal

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