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Sábado, 14 de Dezembro de 2019, 11h:30

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Avançado em quase tudo, Japão tem uma das monarquias mais antiquadas do planeta

arrow-options Wikimedia Commons Naruhito assumiu após o pai, Akihito, ser o primeiro imperador em 200 anos a abdicar do trono O Japão é conhecido...


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Naruhito assumiu após o pai, Akihito, ser o primeiro imperador em 200 anos a abdicar do trono

O Japão é conhecido por ser um dos países mais avançados no setor da tecnologia, sendo aríete de diversas revoluções ao longo da história e contribuindo para o desenvolvimento da humanidade. Seja nas placas de computadores, componentes de celulares ou em outros itens tecnológicos, as empresas japonesas sempre estiveram presentes nas mudanças que carregam o desenvolvimento e abrem novas oportunidades para o futuro.

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Entretanto, o avanço apresentado em certas áreas se contrapõe com o tradicionalismo de uma cultura antiga e histórica. Berço de diversas tradições, o Japão ainda mantém muitas das características que fundamentaram suas bases e fizeram o país ser o que é hoje.

Isso faz com que algumas regras, que um dia fizeram sentido e moldaram a sociedade japonesa , entrem em conflito com o que se entende por correto e direito nos dias de hoje. Um bom exemplo é a composição da dinastia que ainda existe no país e que, mesmo sem ter poder de comando, é tradicional e segue contando com o mesmo prestígio de quando foi iniciada.

O Trono de Crisântemo

A Casa Imperial do Japão remonta a 660 a.C e é considerada a dinastia mais antiga do planeta. Iniciada pelo imperador Jimmu, já teve 126 monarcas ao longo dos anos, todos eles descendentes diretos do primeiro líder japonês. Atualmente, quem ocupa o Trono de Crisântemo é Naruhito , que assumiu após o pai abdicar em seu favor.

O Imperador , que em japonês tem significado de 'divino soberano', atua como um alto sacerdote na tradicional religião japonesa, o  Xintoísmo , e é um símbolo do Estado e da unidade do povo, conforme prega a atual Constituição do país.

Por muitos anos, foi considerado uma divinidade e adorado pelo povo, sendo uma das figuras mais importantes de todo o país. Tal alegação só foi renunciada após a Segunda Guerra Mundial, quando o Japão ainda tinha Hirohito , pai do atual imperador, no Trono de Crisântemo.

Mesmo com toda a importância, a figura do imperador é apenas representativa no Japão, não tendo qualquer tipo de ação política. "Ele é o símbolo da nação, representa a união. Inclusive, isso está presente na Constituição japonesa. O imperador não tem poder político nenhum, zero, exerce simplesmente atividades representativas, sendo uma figura da união, cultura e valores do povo japonês", afirma Marco Antônio Garcia Feliciano, estudioso da cultura japonesa.

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"Até a metade do Século XIV, o imperador não tinha sequer esse poder representativo. Era uma figura, um adorno da sociedade, e quem exercia, quem governava, era o Xógum . Até que houve uma revolução, que abriu o país para outras nações, extinguiu o xogunato e reestabeleceu o poder imperial", finaliza Marco.

As mulheres da família

Ao longo das eras, a dinastia chegou a ser comandada por oito imperadoras ou imperatrizes , mas sempre em caráter de urgência e provisório, até que um novo imperador homem pudesse assumir o trono. Segundo a lei imperial japonesa, promulgada pela Agência da Casa Imperial e pelo Conselho Privado em 1947, mulheres são proibidas de assumir o cargo.

Este é exatamente o grande ponto de crítica da dinastia perante o mundo. Enquanto outros países foram ou são comandados por mulheres, como é o caso da Inglaterra com a rainha Elizabeth II, o Japão segue 'parado no tempo' e só aceita a continuidade da linhagem com parentes homens do imperador Jimmu.

Tal situação, inclusive, gerou um debate no país recentemente. Pressões internacionais para que o primogênito do imperador, seja ele homem ou mulher, ocupe o Trono de Crisântemo quando chegar o momento da sucessão deram início às tratativas sobre o tema, principalmente após o atual imperador, Naruhito, e seu irmão, o príncipe Fumihito, terem tido apenas filhas: as princesas Aiko, Mako e Kako .

Assim, em 2005, o tema foi discutido pelo governo japonês. Tudo levava a crer que, caso a lei fosse cassada, a primogênita Aiko seria habilitada a suceder o pai e se tornar a primeira imperadora do Japão em muito anos. Entretanto, as conversas caíram por terra já em 2006, quando a princesa Kiko , mulher de Fumihito , deu à luz ao príncipe Hisahito , o primeiro homem de sua geração e, agora, o próximo na linha de sucessão.

Título por dinheiro

Além de não terem direito de participar da linha sucessória, as princesas enfrentam outro problema quando chegam à idade adulta: caso queiram se casar com um plebeu, elas devem abrir mão do título de nobreza.

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Funciona da seguinte forma: para consumar o matrimônio, a princesa abre mão de ser uma nobre, passa a morar com o marido e ganha uma quantia por essa mudança, algo em torno de R$ 3,5 milhões.

A última a passar por isso foi a princesa Ayako . Em outubro de 2018, ela se casou com Kei Moriya, de 32 anos, que trabalha em uma empresa de navegação. A cerimônia aconteceu no famoso santuário de Meiji Jingu, depois de três dias de rituais no palácio imperial e de uma celebração de agradecimento ao então imperador Akihito.

Polêmica em discurso

A tradição que mantém as mulheres longe do posto acaba gerando situações inusitadas quando algo 'foge do script'. A última polêmica envolveu a atual imperatriz, como lembra Marco Antônio: no dia da entronização, Naruhito e a esposa fizeram discursos de agradecimento. Entretanto, a fala de Masako durou cerca de 30 segundos a mais e acabou sendo alvo de críticas da kunaicho , a agência da Casa Imperial.

Tudo isso porque, historicamente, a imperatriz deve sempre ficar atrás do imperador, seja física ou figurativamente, algo que é compartilhado por outras monarquias e só se inverte quando a regente é uma mulher, como no caso da Inglaterra.

Relação com o Brasil

Mesmo quem mora longe do Japão faz questão de manter as tradições e a idolatria ao imperador. Os japoneses que escolheram o Brasil como casa seguem acompanhando as novidades sobre a família imperial e prestam homenagens em datas comemorativas. Entretanto, esta é uma prática que vem se perdendo conforme as gerações se sucedem. 

Descendente de japoneses, Gustavo Sato de Paula revela que sua família, principalmente os mais velhos, segue o que acontece no Japão e realiza comemorações de datas importantes na vida do imperador, como seu aniversário e outras datas.

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"No dia da entronização , quando todos gritaram três vezes 'banzai', que é um viva ao imperador, os descendentes no Brasil fizeram a mesma coisa, como se estivessem lá. Então, essa ligação com a tradição, toda a comunidade fora do Japão conserva. É isso que mantém a comunidade unida e viva", afirma.

Ainda segundo ele, as instituições japonesas no Brasil têm o retrato do imperador na parede, em sinal de respeito: "ao conservar essas tradições, os mais velhos passam para os mais novos toda essa simbologia da unidade do imperador, unindo toda a nação japonesa".

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