VELHA JOANA /

Segunda-feira, 11 de Novembro de 2019, 17h:13

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O segundo dia do XIII Festival Velha Joana

Admirável e primoroso, pelo amor, engajamento e resultados.


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Texto por Wuldson Marcelo | Fotografias por Fred G

O dia dois da maratona de teatro que transforma Primavera do Leste, neste mês de novembro, no paraíso das artes cênicas, trouxe espetáculos da Mostra Regional, da Oficial e de um grupo convidado. Em comum, os efeitos da ação humana sobre o Outro ou a natureza, ainda que personagens antropomórficos assumam o protagonismo. Todas as apresentações foram na Secretaria de Cultura, Turismo, Lazer e Juventude (Secult).

É preciso destacar que duas dessas montagens são do Grupo Primitivos, de Primavera, que sobrepujam qualquer dúvida sobre a potência do trabalho realizado nesses poucos mais de 10 anos da Escola de Teatro Faces no município. Admirável e primoroso, pelo amor, engajamento e resultados.

O primeiro espetáculo do segundo dia de Velho Joana foi justamente do Grupo Primitivos, “O Adeus de Maria”, uma das peças convidadas. Inspirada na lenda popular de que o joão-de-barro, ao flagrar a fêmea — maria-de-barro — com outro macho, a tranca em casa e a deixa morrer de fome, o espetáculo trata de questões como liberdade, machismo, preconceito racial e uma nova oportunidade de amar. A dramaturgia de Wanderson Lana, escrita já há alguns anos, ganhou novos tratamentos a partir do processo de desconstrução do autor e da contribuição do jovem elenco — com sua vivência e entendimento das relações sociais e raciais.

Destes novos olhares e edificação coletiva, tem-se uma apresentação que mescla comédia, drama e romance com muito dinamismo e precisão. Na história, a chegada de um curió causa alvoroço na comunidade de pássaros, principalmente por atrair a atenção da maria-de-barro, que aguarda o retorno do marido joão-de-barro. A relação entre eles irá expor o racismo contra a cor do curió, que possui penas pretas, e o sexismo, já que o “destino” da maria-de-barro é o de esperar seu companheiro, indefinidamente. Apesar dos temas, é uma comédia, e das mais divertidas. Destaque para Camila Wandscheer, que interpreta a maria-de-barro, para Rafael Pessoa, que dá vida ao curió, e para o coro de pardais, sempre atento aos movimentos das duas personagens.

Já o segundo espetáculo, “Jacuba”, do Grupo Foco de Teatro, de Rondonópolis, levou ao festival um texto original de Joelson Santos, também diretor da peça. A dramaturgia conta-nos a história de uma família, de um sertão não identificado, que passa por todas as vicissitudes que a vida pode legar, incluindo o assassinato do pai, pedofilia — a filha de 12 anos é abusada por um fazendeiro —, loucura, prostituição e até o suicídio.

A forte carga emocional, que aposta em conflitos psicológicos e os efeitos da miséria na vida individual e familiar, enfatiza a tragédia, mas não deixa de observar que a vida também é gozo, como canta Waldick Soriano. E o excessivo peso dramático se multiplica pela aposta nas explicações — dadas pela narrativa — e não nas imagens, nos aparatos cênicos, permitindo ao público construir ou solucionar pela imaginação. Essa escolha provavelmente prende os atores ao texto e não lhes confere subsídios para o processo de criação. Ressalta-se, no entanto, como a jacuba — um prato que leva rapadura, farinha, água e canela — se torna um liame da relação familiar no que tange à sua luta pela sobrevivência e afeto.

O terceiro espetáculo da noite de sábado trouxe ao palco mais uma vez o Grupo Primitivos. Desta vez para encenar, dentro da Mostra Oficial — categoria juvenil/adulto, “O Beijo da Lua e da Vitória-Régia”, com dramaturgia e direção de Wanderson Lana. Baseada na lenda tupi-guarani da vitória-régia e do surgimento do rio Amazonas, a peça tem como protagonista Naiá (a talentosa Gabi Batista), que aguarda a maioridade para realizar seu maior desejo, o de conhecer o mundo, e Jaci (um sensível Rodsley Gomes), que, por sua vez, anseia por ocupar seu lugar no céu.

A história ocorre em uma cidade caótica, que cresce desordenada e consumindo o que encontra pela frente. Nesse ambiente, a natureza é a maior vítima, com morte de animais e a destruição da fauna. O espetáculo tem um notável senso ecológico, um clima de fantasia envolvente e uma história de amor que prende desde o momento em que conhecemos as personagens centrais.

Além do romance e da crítica social, a peça recorre à dança, com coreografias que a colocam em sintonia com seu público; um bailado com os andaimes, que servem de aparatos cênicos, confere aos objetos singela beleza. Há também um humor insuspeito, visto principalmente na personagem Coruja, interpretada por Raquel Santos.

*Este texto é parte da cobertura especial do XIII Festival Velha Joana, realizado em Primavera do Leste (MT) entre 08 e 17 de novembro de 2019, para o qual o Parágafo Cerrado foi convidado.

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