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Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019, 07h:00

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Praga que ‘se finge de morta’ infesta lavouras de soja e traz prejuízos

Produtores relatam usar até cinco aplicações contra o inseto, que se esconde sob solo e palhada. Ataques geram perdas de até 15 sacas por hectare


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Canal Rural

Chuvas irregulares e o menor uso de inseticidas no campo são responsáveis pela proliferação de pragas secundárias nas lavouras de soja em Mato Grosso, segundo o setor produtivo. Além da perda de produtividade, em algumas regiões, os agricultores relatam aumento de até 15% nos custos de manejo.

O sojicultor Ary José Ferrari, de Primavera do Leste (MT), semeou 2.200 hectares e esperava colher, em média, 60 sacas de soja por hectare, mas isso pode não se concretizar. “Está faltando chuva. Até garoa em uma parte, mas em outras, não. Está assim, só pancadas e depois passa dez dias sem chover. Sem falar nas pragas secundárias, que estão dando dor de cabeça esse ano, principalmente o torrãozinho”, afirma.

No ano passado o produtor perdeu 15% da lavoura para a praga. Nesta safra, o prejuízo pode ser ainda maior. “Ele derruba as folhas e corta o pé inteiro. Depois, na hora de colher, não tem soja nenhuma. A julgar por um só talhão de minha fazenda, devo perder 25%. Em outro, já fizemos cinco aplicações só para tentar segurar o torrãozinho e ainda não consegui matar tudo, ainda tem”, diz.

 

PROBLEMA AFETA OUTROS PRODUTORES

Ferrari não é o único a ter problemas com essa praga. Segundo o vice-presidente do Sindicato Rural de Primavera do Leste, Marcos Roberto Bravin, o problema atinge várias plantações do município. “Esse inseto está elevando os custos com defensivos, de 10% a 15%. Fora o dano que está deixando na lavoura, que podem girar de 5 a 15 sacas por hectare. Tem lavouras que podem perder até mais”, diz.

 

O QUE FAZER?

De acordo com a Embrapa, para que o controle das pragas secundárias seja mais eficiente, é preciso antecipar o manejo de palhadas e o monitoramento das áreas.

“O importante é o produtor e o consultor já começar o manejo desses insetos antes do estabelecimento da cultura, na palhada. Preferencialmente conseguir fazer uma dessecação bem com até 20 dias antes do plantio. É óbvio que não dá para fazer esse manejo para todos os talhões, então é importante monitorar, para ver se existe a presença da praga”, conta o pesquisador Rafael Major Pitta.

Segundo ele, comprovando a presença não só desses, mas de outros insetos, como as lagartas, o produtor deve optar pelo uso do inseticida junto com a dessecação. “Mas o que não pode é virar uma regra, porque quando já começa usando esses inseticidas sem necessidade, elimina-se muitos inimigos naturais a vai criando outros problemas. Por isso cada vez mais vemos o aumento incidências de pragas”, diz Pitta.

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